Programa gratuito do Sebrae orienta nipo-brasileiros que retornam do Japão a criar seus negócios com planejamento e de forma sustentável
Nipo-brasileiros, em sua maioria com menos de 40 anos de idade, atravessam o mundo rumo ao Japão em busca de melhores oportunidades profissionais. Após alguns anos de trabalho árduo, retornam ao Brasil. Muitos aproveitam suas economias para montar o próprio negócio. Essa é a típica trajetória dos dekasseguis.
Para apoiar esses jovens em diversos momentos desse caminho e permitir que criem seus negócios com o devido planejamento e da forma mais sustentável, foi criado o Programa Dekassegui Empreendedor. A ação é desenvolvida pelo Sebrae, em parceria com o Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID/Fumin) e a Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD).
Neste ano, uma série de eventos e atividades no Brasil e no Japão marca o Centenário da Imigração Japonesa. Mais de 300 mil brasileiros vivem atualmente no país do sol nascente. “O programa, em última instância, tem como objetivo a reintegração social e econômica dos dekasseguis no retorno ao Brasil, por intermédio da abertura de negócios próprios”, observa o coordenador nacional pelo Sebrae do Dekassegui Empreendedor, Silmar Rodrigues.
Segundo Silmar, é necessário desenvolver e reforçar o comportamento empreendedor desses brasileiros e suas competências e habilidades em termos de gestão empresarial. “Isso é concretizado mediante oferta de cursos, consultorias e de informações técnicas tanto presenciais quanto a distância, além da realização de eventos no Brasil e no Japão”, explica o coordenador.
O Dekassegui Empreendedor trabalha com os jovens em três momentos: antes de irem para o Japão, durante a estada naquele país e no retorno ao Brasil. O atendimento em todas as etapas é gratuito. No Brasil, o programa é desenvolvido nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará. São esses Estados que reúnem a maior população de origem japonesa no Brasil.
No período que antecede a ida ao Japão, os dekasseguis recebem informações sobre normas e leis nipônicas e a respeito dos pontos de apoio aos brasileiros no país oriental. O dekassegui ainda ganha informações sobre como se comunicar e obter trabalho, dicas para o planejamento financeiro e estabelecimento de metas para o retorno ao Brasil.
No Japão, os dekasseguis têm acesso ao atendimento do Sebrae por meio do site do programa (www.dekassegui.sebrae.com.br). No endereço eletrônico, os jovens brasileiros que vivem ali e pensam em empreender quando retornarem ao Brasil têm a oportunidade de participar de cursos de educação a distância e de formular perguntas a respeito da criação e da gestão de negócios. Em até três dias, as questões são respondidas por consultores do Sebrae. Mais de mil perguntas já foram respondidas através do site.
Outra ação desenvolvida pelo Sebrae em parceria com entidades representativas de brasileiros no Japão é o Sebrae Itinerante. O serviço leva aos dekasseguis informações a respeito de oportunidades de negócio, sobre gestão e abertura de empresas e a respeito da legislação e do mercado no Brasil. “O Sebrae Itinerante traz oportunidades ímpares e proporciona grande interação entre os técnicos do Sebrae e os brasileiros que vivem no Japão”, afirma Silmar Rodrigues.
Informação para investir
Há quatro anos instalada na cidade de Campo Grande (MS), a Maruzem Limpeza e Conservação aposta no profissionalismo e num serviço diferenciado para atuar no mercado. No comando do negócio está Álvaro Oshiro, um jovem que, como muitos outros brasileiros de origem nipônica, seguiu a trilha dekassegui. Morou e trabalhou durante 13 anos no Japão, onde juntou economias para abrir o próprio negócio no regresso ao Brasil.
Antes de viajar, Oshiro vivia em Araçatuba (SP) e trabalhava em uma oficina mecânica. Partiu para o Japão em 1991. Lá trabalhou com pavimentação de asfalto, em fábricas de veículos e na indústria eletrônica. Viveu em várias cidades como Ueda, Tóquio e Yamanashi.
Segundo o empreendedor nipo-brasileiro, viver em um país de Primeiro Mundo, com regras muito definidas de disciplina profissional, trouxe importantes referências à sua atuação na Maruzem Limpeza e Conservação. “Tenho grande comprometimento com o meu negócio”, garante.
No Japão, ele conheceu sua esposa, a brasileira Isaura Yumiko Moramizato, outra dekassegui. O primeiro filho do casal, Bruno, acabou de nascer. Junto com Isaura, o empreendedor paulista começou a construir um projeto de vida conjunto, que incluía o retorno ao Brasil para a criação de uma empresa. “No período em que vivi fora, entendi o que significava a minha nacionalidade e que eu tinha de viver no Brasil, onde estava toda a minha família”, lembra Oshiro.
Apesar da vontade de voltar e de se tornar empresário, Oshiro diz que realizou um minucioso planejamento. Começou a pesquisar na internet como poderia ter apoio para empreender. Essa pesquisa o levou ao Sebrae.
Motivado pela irmã Marlene, Oshiro decidiu se fixar em Campo Grande. Na capital de Mato Grosso do Sul, realizou os primeiros de uma série de longos contatos com o Sebrae. Já participou de cursos como Atendimento ao Cliente e o Empretec. “São tantos cursos que já fiz no Sebrae que nem me lembro o nome de todos. Recomendo o Empretec a qualquer pessoa que pense em abrir um negócio. O seminário possui uma dinâmica que dá uma injeção de ânimo no empresário e mostra as barreiras que você tem de superar para abrir um negócio”, indica Oshiro.
Outro curso que Oshiro, um participante do Programa Dekassegui Empreendedor, considera muito importante para a sua formação empresarial é o Plano de Negócios. “O curso clareou a minha idéia sobre o que significa abrir um negócio. Na minha visão, o insucesso das empresas se deve à falta de um planejamento”, opina.
Fonte: www.empreendedor.com.br
Data: 12/9/08